A Câmara dos Deputados aprovou na noite
desta terça-feira (3) a urgência do projeto de lei que viabiliza a venda
das distribuidoras da Eletrobras. Com isso, o texto poderá ser votado
na nesta quarta-feira (4), para quando está prevista a próxima sessão. A
votação da urgência, aprovada por 226 votos, desagradou a oposição, que
considerou a articulação uma manobra. Isso porque o requerimento se
baseou no artigo 154 do regimento da Câmara, que exige apenas maioria
simples dos presentes para ser aprovado. O requerimento inicial, baseado
no artigo 155, precisaria de maioria qualificada (257 votos favoráveis)
para ser aprovada, explica o analista político Leandro Gabiati.
O projeto de lei é visto como um passo
essencial para a venda das distribuidoras da Eletrobras, pois permite
que a dívida bilionária das empresas seja transferida à conta de luz do
consumidor, o que viabilizaria a atração de investidores.
Sem isso, a previsão é ainda mais
problemática, segundo analistas do setor elétrico, pois o plano B da
Eletrobras caso não consiga vender as empresas é liquidá-las. Essa saída
provoca dúvida quanto à continuidade do serviço, além de gerar o risco
de uma demissão em massa de funcionários e a transferência dos débitos
bilionários para a controladora.
O leilão das empresas, no entanto, sofre
com outro entrave: a recente decisão do STF que impede a privatização
de empresas ou suas subsidiárias sem a aprovação prévia do Legislativo
confere enorme insegurança jurídica ao certame, previsto para ocorrer no
dia 26 de julho.
Além de resolver a venda das
distribuidoras, o projeto de lei poderá receber uma emenda, contendo a
solução para um dos maiores problemas do setor elétrico: o risco
hidrológico, que já gera um rombo de R$ 6 bilhões não pagos por
geradores hidrelétricos protegidos por liminares. O governo resiste em
incluir o tema no PL, com receio de que trave a aprovação na Câmara, mas
deputados e representantes do setor elétrico pressionam para a inclusão
da solução no projeto.
Processo
A Eletrobras vai vender seis
distribuidoras, que operam no Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Alagoas
e Piauí. O processo, porém, depende de aprovação do Congresso e está
sendo questionado por ações dos Estados no STF (Supremo Tribunal
Federal). As empresas foram transferidas à estatal após o processo de
privatização do setor, nos anos 1990, e vêm registrando prejuízos
recorrentes. O governo alega que a iniciativa privada pode aumentar a
eficiência das operações. As distribuidoras serão vendidas pelo valor
simbólico de R$ 50 mil, além do compromisso com investimentos na
melhoria do serviço prestado. Para limpar o balanço das empresas, a
Eletrobras assumiu cerca de R$ 11 bilhões em dívidas. (Fonte:
Folhapress)





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