A
atitude do desembargador Rogério Favreto, plantonista do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de acatar pedido de liminar para a
libertação do ex-presidente Lula foi duramente criticada por juristas.
Segundo
Ives Gandra Martins, que atua na área jurídica há seis décadas, nenhum
juiz pode revogar decisão tomada por um colegiado. Isso porque Lula foi
condenado em segunda instância no caso Triplex do Guarujá, pelo
colegiado do próprio TRF-4, e a condenação foi homologada pelo colegiado
do STF. Sendo assim, para Ives Gandra, o juiz plantonista não teria
poderes para reverter a decisão das duas cortes.
Além
disso, o jurista lembra que o juiz plantonista deve atuar em assuntos
emergenciais e que o caso de Lula não se encaixa nessas características.
“O
juiz de plantão existe para casos de emergência, para casos de
urgência. Nesse caso, a matéria vinha sido discutida há mais de um ano.
Não era o caso dele examinar. Segundo lugar, não cabe a um juiz
monocrático, segundo decisões do CNJ, revogar decisão de um colegiado do
próprio tribunal”.
Já
o especialista em Direito Penal, Leonardo Pantaleão, afirma que a
atitude do desembargador Rogério Favreto foi ilegal e o plantão que
exercia não lhe dava poderes para soltar Lula.
Ele
ressalta que o juiz de plantão não pode decidir em processos com
relatoria definida pelo colegiado do tribunal, a exemplo do processo do
ex-presidente petista.
“Esse
assunto tem um relator sorteado no Tribunal Regional Federal. Portanto,
jamais poderia ter sido objeto de decisão. Exceto se ocorresse algum
fato novo, o que não ocorreu no final de semana, que justificasse a
movimentação do plantão judiciário. Então, inexistindo o fato novo,
qualquer movimentação do plantão judiciário é absolutamente estranha aos
ditames processuais penais vigentes”.
No
início da tarde deste domingo (8), o desembargador plantonista do TRF4,
Rogério Favreto, aceitou pedido de habeas corpus para libertar Lula.
O
juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso na primeira instância da
Justiça Federal, publicou despacho condenando a atitude do colega.
Então, o relator do processo de Lula no TRF-4, desembargador João Pedro
Gebran Neto, derrubou o habeas corpus emitido por Favreto.
O
desembargador federal que tentou libertar Lula da prisão tem um vasto
currículo de prestação de serviços ao Partido dos Trabalhadores.
Ele
fez parte da equipe do ex-presidente e trabalhou como sub-chefe para
Assuntos Jurídicos da Casa Civil com os ex-ministros José Dirceu e Dilma
Rousseff.
Além
disso, Favreto foi chefe da assessoria jurídica do Ministério do
Desenvolvimento Social, quando Patrus Ananias, do PT, era o ministro, e
ainda passou pela Secretaria de Relações Institucionais e pelo
Ministério da Justiça, durante o governo Lula. (Com a colaboração de João Paulo Machado/reportagem de Cristiano Carlos)
Fonte: Blog do Carlos Britto






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