O governo têm promovido
diálogo com representantes mas, devido a falta de coesão entre as
lideranças da categoria, admite a dificuldade nas negociações
JC Online
Embora venha monitorando representantes
dos caminhoneiros e conversando com alguns líderes, o Governo Federal
admite a dificuldade para negociar com todas as lideranças da categoria
devido à falta de coesão. Temendo uma nova greve como a realizada em
maio de 2018, novas rodadas de conversas estão marcadas para a próxima
semana, segundo informações do site Congresso em Foco.
Uma ala mais radical, que não tem
participado das conversas com o Palácio do Planalto, fala em uma
paralisação a partir do dia 29 de abril, em resposta ao aumento de R$
0,10 no preço do diesel. Outra, mais ponderada e que tem dialogado com o
governo, considera a medida precipitada e deve voltar a se reunir com
ministros e técnicos da equipe de Jair Bolsonaro para avaliar o cenário.
O valor do diesel deve subir dos atuais
R$ 2,14 para R$ 2,24, em média, nos 35 pontos de distribuição no país.
Apesar do reajuste, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco,
acredita que são baixas as chances de greve.
Cobrança
Em entrevista ao site Congresso em Foco,
Wallace Landim, presidente da Cooperativa dos Transportes Autônomos do
Brasil (Branscoop), ressalta a necessidade de respostas rápidas para
solucionar os problemas da categoria. “Sei que estamos todos na UTI, mas
vamos tentar segurar o máximo possível. O governo está trabalhando, mas
precisamos de ações urgentes. Espero que consigamos resolver todas as
questões a tempo de salvar a todos”, afirmou.
Ele explica que, desde a greve de maio
do ano passado, que paralisou o país, a categoria começou a se organizar
mais, embora ainda não hajam “lideranças estabelecidas” e o WhatsApp
continue sendo o meio preferido para os diálogos internos.
Para Wallace, apenas da sensação geral
de descontentamento que ainda prevalece, o sentimento é de que “o
governo está disposto a conversas”. Ele afirmou que estará em Brasília
na próxima semana para tratar com os ministros da Infraestrutura,
Tarcísio Gomes de Freitas, da Agricultura, Tereza Cristina, e da Casa
Civil, Onyx Lorenzoni, e tentará mostrar à categoria que o Planalto está
aberto ao diálogo.
Em nota ao Congresso em Foco, a
Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), parceira de 54
entidades da classe, que diz representar 600 mil autônomos, afirmou
estar recebendo, desde o anúncio do aumento do combustível, inúmeras
reclamações, mas “ainda não é possível afirmar que a categoria está se
organizando para uma nova paralisação”.
Reajuste
Na última semana, o presidente Jair
Bolsonaro, que, segundo Castello Branco, não havia sido informado com
antecedência do reajuste do diesel e disse que quer entender o custo que
justifica o reajuste. “Na terça-feira convoquei todos da Petrobras para
me esclarecerem por que 5,7 por cento de reajuste quando a inflação
projetada para este ano está abaixo de 5 (por cento). Só isso, mais
nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, nós vamos dar a
resposta adequada para vocês”, disse no dia 12 de abril.
Ao anunciar o aumento do combustível,
Castello Branco negou que Jair Bolsonaro tenha exigido algo. “O
presidente Bolsonaro não pediu nada. Apenas me alertou sobre os riscos
que representava uma greve dos caminhoneiros. Fiz uma reunião com os
diretores para suspender o reajuste de preços para uma reavaliação.
Todos nós sofremos com a greve dos caminhoneiros. Fui favorável a sustar
o reajuste dos preços”, contou o presidente da estatal.
Promessas
Para amenizar o descontentamento da
categoria, o governo anunciou a abertura de uma linha de crédito no
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES) no valor de R$ 500
milhões para caminhoneiros autônomos manterem seus veículos, além de
investimentos em rodovias federais e melhorias nas condições de
trabalho.
Para a ABCAM, os anúncios feitos pelo
governo são positivos, mas ainda não esclareceu como será e quando terá
ínicio o funcionamento das medidas divulgadas:
“Quais serão as regras, prazos e
condições para abertura de crédito para os caminhoneiros? Quando teremos
as paradas de descanso? É importante lembrar que não serão construídos
pátios de estacionamento da noite para o dia, muito menos o cartão
combustível, ou mesmo o documento eletrônico de frete. Sendo assim,
quando, efetivamente, os caminhoneiros poderão usufruir de tais
medidas?”.





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