O número de inadimplentes chegou a 63 milhões no Brasil em março. O
número é recorde, segundo o Serasa Experian, e significa que, em apenas
um ano, entre março de 2018 e março de 2019, mais de dois milhões de
pessoas entraram no vermelho. Desse montante, 800 mil pessoas ficaram
negativadas apenas entre fevereiro e março deste ano. Com isso, a
inadimplência cresceu 3,2% no País, fazendo com que as dívidas atrasadas
virassem realidade para 40,3% da população adulta do País - percentual
semelhante ao encontrado em Pernambuco. No Estado, 2,8 milhões de
pessoas, 40,8% da população estadual, têm contas em atraso, de acordo
com pesquisa do Serasa.
“O aumento do desemprego e a alta da
inflação nos primeiros meses do ano resultaram em perdas na renda do
consumidor, o que impacta diretamente na inadimplência. A concentração
de compromissos financeiros típicos de início de ano, como IPTU, IPVA,
material escolar, pressiona o orçamento da população”, explica o
economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, lembrando que esse recorde de
pessoas com dívidas em atraso traz prejuízos ao crescimento da economia.
É o caso, por exemplo, da gari Ana Cristina, de 44 anos. “Eu
pagava tudo em dia, só que fiquei desempregada e mudou tudo. Recebi o
seguro-desemprego, mas optei por alimentar meus filhos e dar prioridade
às coisas dentro de casa”, justificou Ana, admitindo que até as contas
de água e luz da sua casa estão atrasadas. “Nem trabalhar com o nome
sujo você consegue”, lamentou a gari.
Comerciante, Genildo Jordão, 49 anos, também entrou no vermelho por
conta do desemprego. Só que, neste caso, o débito é do cartão de
crédito. “É uma dívida pequena, mas, como perdi o emprego, não consigo
pagar. Tornou-se uma 'bola de neve'", contou Jordão, que, por conta
disso, não consegue mais fazer financiamentos ou compras parceladas.
O
cartão de crédito, por sinal, é um dos grandes responsáveis pela
inadimplência. Segundo o Serasa, os débitos que mais deixaram as pessoas
negativadas em março foram os de bancos e cartões (28,1%), água, luz e
gás (19,8%) e telefonia (13,2%). “O grande vilão é o cartão de crédito,
uma vez que dá uma falsa ideia de extensão de renda e tem juros beirando
280% ao ano. É uma ferramenta excelente para quem sabe usar, mas pode
se tornar um pesadelo para toda uma família”, reitera o consultor
econômico e financeiro, Tiago Monteiro, lembrando que, o aumento da
oferta de crédito nos últimos meses também contribuiu com a alta da
inadimplência. “Nos anos de 2016 e 2017, no resquícios da crise
econômica no Brasil, as pessoas não tinham disponibilidade para gastar e
a taxa de juros em torno de 14% deixava o consumidor com receio. Após a
queda dos juros para 6,5%, os compradores voltaram a consumir”, lembrou
Monteiro.
Idades
Os pernambucanos Ana e
Genildo estão na faixa etária que corresponde à maior parte dos
brasileiros que têm contas em atraso. Segundo o Serasa, 19,9% dos 63
milhões de inadimplentes têm entre 41 e 50 anos. Mas o segmento que
apresentou a maior alta foi o de idosos. É que 38,8% dos consumidores
com mais de 61 anos estavam inadimplentes em março.
Para esses
consumidores, a dica dos especialistas é coloca todas as contas na ponta
do lápis para avaliar se seus gastos cabem na sua renda. Se o saldo for
neutro, recomenda-se atenção e o corte de itens supérfluos. Mas, se for
vermelho, o cuidado deve ser recobrado: guardar o cartão e comprar só o
essencial é fundamental.
Fonte: Folha-PE
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Pesquisa mostra que 63 milhões de brasileiros estão no vermelho
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