Os pais de crianças menores de 11 anos que não levaram seus filhos para se vacinar contra a doença meningogócica na idade recomendada têm nova chance para colocar a imunização em dia até dezembro de 2021. O Ministério da Saúde distribuiu 900 mil doses da vacina meningocócica C (conjugada) em agosto e ampliou a idade do público-alvo para alcançar quem deixou de ir aos postos nos últimos anos.
A vacina protege contra a bactéria meningococo C, que causa quadros
graves como a meningite (inflamação nas membranas que revestem o sistema
nervoso central) e a meningococemia (infecção generalizada pelo
meningococo). O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza
esse imunizante na rotina de vacinação, em um esquema de duas doses, aos
3 e 5 meses de vida, com uma dose de reforço aos 12 meses de idade.
Para os responsáveis que, por algum motivo, perderam a oportunidade de
levar as crianças aos postos na idade indicada, o PNI previa a
administração de uma dose até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Para
ampliar a cobertura, desde julho, os postos de vacinação estão
autorizados a vacinar também crianças menores de 11 anos que estejam em
atraso com essa vacina. Segundo o Ministério da Saúde, o número de não
vacinados menores de 10 anos pode chegar a 1,8 milhão.
No comunicado aos coordenadores estaduais de imunizações, a
Coordenação-Geral do PNI afirma que a medida foi tomada "diante do
cenário de baixas coberturas vacinais, observadas a partir de 2016,
situação que se agravou a partir de 2020 com a pandemia da covid-19,
possivelmente em virtude do receio da população em buscar os serviços de
saúde para a atualização do Calendário de Vacinação".

Segundo o texto, o objetivo da ampliação é aumentar a proteção contra a doença meningocócica, evitando a ocorrência de surtos pelo sorogrupo C, hospitalizações, sequelas, tratamentos de reabilitação e óbitos, em especial quando do retorno das aulas presenciais. Além disso, a medida busca otimizar o uso das doses da vacina, acrescenta o comunicado, "em virtude do baixo consumo desta vacina nos últimos anos, e da existência de quantitativo de doses".
O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, ressalta que o Brasil teve uma queda expressiva no número de casos da doença desde que adotou a vacina no Sistema Único da Saúde (SUS), em 2010. A queda da cobertura nos últimos anos, porém, traz um alerta, porque a doença não parou de circular.
"Isso significa que temos um contingente de muitas crianças que não
foram vacinadas e são suscetíveis a uma doença que é endêmica no país.
Essa bactéria, há muitos anos, está presente no nosso meio, já causou
surtos epidêmicos em outros momentos, e o risco de não termos essa
cobertura adequada é termos novos casos dessas doenças, que são graves",
afirmou.
Como a transmissão dessa bactéria é respiratória, Cunha avalia que as
medidas de prevenção contra o vírus SARS-CoV-2 também têm contido o
número de casos de doença meningocócica. "O cenário nos preocupa muito,
porque, com o retorno às escolas e com a maior flexibilização de todas
as medidas não farmacológicas, isso pode acarretar aumento do número de
casos, para uma doença que é evitável e para a qual temos uma vacina
disponível na rede pública."
O presidente da SBIm também chama a atenção para a vacinação da faixa
etária seguinte, as crianças e adolescentes de 11 e 12 anos, que devem
tomar a vacina meningocócica ACWY, contra quatro sorotipos do
meningococo.
Infectologista e gerente médica de vacinas da farmacêutica GSK, que
fornece a vacina ao SUS, Lessandra Michelin alerta que o meningococo C é
uma bactéria agressiva, que pode causar sequelas neurológicas graves,
amputações e levar à morte em menos de 24 horas, mesmo quando
diagnosticado e tratado.
"O meningococo não causa só a meningite. Essa bactéria pode entrar na
circulação sanguínea e causar uma infecção sistêmica, afetando muitos
órgãos, e pode também se manifestar na forma de uma pneumonia. Mas a
forma mais frequente é a de meningite".
Além dos pais, a infectologista pede que os profissionais de saúde
também atentem para o calendário vacinal e recomendem a imunização
contra o meningococo C. "Os profissionais de saúde têm um papel
fundamental na indicação. Muitas vezes, na correria do dia a dia, em uma
consulta médica, a gente esquece de perguntar como está a carteirinha
vacinal. Este é o nosso papel como profissionais de saúde. E não é só o
medico. O enfermeiro, o auxiliar de enfermagem no posto e até o
profissional da farmácia."
Uma pesquisa realizada pela GSK e divulgada em março deste ano mostrou que a pandemia de covid-19 fez com que pais adiassem a vacinação
contra a meningite em diversos países. No caso do Brasil, 72% dos
entrevistados que não levaram os filhos para se vacinar apontaram as
restrições para a prevenção da covid-19 como uma das causas; 45%
afirmaram ter medo de ser infectados pelo novo coronavírus e 19%
disseram ainda que não levaram as crianças para se imunizar contra a
meningite porque contraíram covid-19 ou tiveram que cuidar de alguém com
a doença.
Lessandra Michelin destaca que, seguindo as medidas de prevenção, a ida
aos postos de vacinação é segura e não deve mais ser adiada. "Estamos em
um outro momento da pandemia, e faz parte a gente ter que atualizar os
calendários agora, porque as crianças também estão tendo maior
mobilidade, estão voltando à escola e a atividades extracurriculares e
precisam estar protegidas."
Fonte; Agência Brasil





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