Toda área da bacia
hidrográfica do São Francisco deve se alertar para consequências do
projeto. Movimento com apoio da Igreja quer alertar sociedade e evitar
instalação
O professor e representante da Articulação Antinuclear Brasileira, Heitor Scalambrini falou ao Debate das Dez na Rádio Pajeú sobre
a possibilidade da construção de uma usina de energia nuclear às
margens do rio São Francisco, no município sertanejo de Itacuruba, e
deixou evidentes os riscos que se colocam sobre todas as cidades
beneficiadas pelo Rio da integração nacional, o São Francisco.
“Imaginem a possibilidade de vazamento
de material radioativo no rio São Francisco, o rio da integração
nacional, que passa por sete estados, 506 municípios e com 20 milhões de
pessoas que dependem de suas águas direta ou indiretamente. Dez por
cento dos municípios brasileiros dependem do Rio. Seria desastroso. Você
não poderia usar mais a água para nada. para evitar um acidente de uma
usina o único caminho é não instalar a usina”, argumentou.
Scalambrini tem participado de vários
debates puxados pela Arquidiocese de Olinda e Recife e a Diocese de
Floresta (PE), com apoio de outras Dioceses do estado, como a de
Afogados da Ingazeira.
A criação da fonte atômica de energia
foi sinalizada no Plano Nacional de Energia 2050, elaborado pelo
Ministério de Minas e Energia (MME). Além de Itacuruba, outras oito
localidades no Nordeste e Sudeste do país estão sendo estudadas para
abrigar usinas.
De acordo com a Secretaria de
Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e
Energia, a Eletronuclear já concluiu estudos que indicam Itacuruba como a
área ideal para a construção do empreendimento que custaria R$ 30
bilhões.
“O almirante Bento Albuquerque, Ministro
das Minas e Energia é diretamente ligado ao programa de constrição de
submarinos nucleares que deu declarações repetidas vezes de que essa é
uma prioridade do governo Bolsonaro”, disse. O local foi escolhido por
estar às margens do São Francisco, cuja água servirá para manter a
temperatura dos reatores.
Apesar da intenção do Governo Federal, a
legislação estadual proíbe a instalação de uma usina atômica em
Pernambuco. De acordo com o Artigo 216 da Constituição Estadual, está
proibida a instalação de usinas nucleares no Estado enquanto não se
esgotarem toda a capacidade de produzir energia hidrelétrica e de outras
fontes. O assunto é discutido no Estado desde 2007.
O temor é compartilhado por mais de 100
entidades que assinaram a “Carta em defesa da vida e em repúdio à
implantação de novas usinas nucleares no Brasil”. O grupo realizou
caminhadas para chamar a atenção para o assunto, em Carnaubeira da Penha
e Floresta, e defender a manutenção de comunidades tradicionais, como
quilombolas e indígenas, que vivem na região.
Cidades como Itacuruba, Floresta e
Petrolândia segundo o professor devem destacar uma atenção especial ao
tema, mas todo o Sertão deve ter preocupação. Cidades do Pajeú, por
exemplo, que estão a duzentos quilômetros em média do local da usina
poderiam sofrer impactos de um eventual acidente nuclear. “Se constatou
um amento de radiotividade com o acidente de Chernobyl em Portugal,
distante três mil quilômetros”, exemplificou. Uma audiência pública
deverá acontecer em Itacuruba, em data a ser definida.
“Não precisamos dessa energia nuclear Os
riscos são muito maiores que os benefícios. Somos a favor de outras
fontes de energias renováveis. Temos como ser autossuficientes. Hoje a
participação de Angra I e II é ínfima diante da geração nacional”, diz.
Ele cita os impactos e mortes causadas
pelos acidentes em Chernobyl e recentemente em Fukushima.
“Um acidente
nuclear não acontece como a explosão de uma bomba. Se houver uma
interrupção do resfriamento do reator aquele calor vai aumentar e vocês
imaginem uma faca quente numa manteiga. Eles vão derreter tudo na crosta
terrestre até achar um lençol de água. A liberação de material
radioativo em altas doses é fatal, atingindo água, terra, tudo, por
milhões de anos. Em um acidente aéreo você sabe a quantidade de mortos.
Em um acidente nuclear, o número de morte se estende gerações a
gerações”.
Fonte> Blog do Nill Júnior





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