
Em meio à relatoria do “Caso Master”, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aproveitou um evento na OAB-RJ nesta sexta-feira (20) para enviar um recado sobre o perfil da magistratura e o exercício do poder. Para o ministro, o papel de um juiz não deve ser a busca pelo protagonismo ou pela fama, mas sim o cumprimento do dever com equilíbrio e consciência das próprias limitações.
“Bom juiz não é estrela. Como eu sou cristão, peço que julgue da forma certa, reconhecendo que não somos perfeitos”, declarou Mendonça durante a palestra “Os desafios da advocacia no século XXI”.
O ministro dedicou parte de seu discurso a redefinir o conceito de coragem na função pública. Segundo ele, a força de um magistrado não se mede pelo volume da voz ou por demonstrações ostensivas de poder, mas pela capacidade de decidir de forma racional sob pressão.
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Decisão e Erro: Mendonça incentivou líderes a não terem medo de decidir. “Se estiver errado, peça desculpas e corrija a rota, mas não deixe de decidir”, afirmou, ressaltando que erros devem ser reconhecidos com naturalidade.
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Humildade x Fraqueza: Ele lamentou que, em ambientes de poder, a humildade seja frequentemente confundida com falta de vigor. “Humildade não é fraqueza, é grandeza. É saber que, no fundo, você não é mais do que ninguém.”
Relembrando sua indicação ao STF em 2021, Mendonça revelou detalhes da estratégia que utilizou para enfrentar a resistência de figuras poderosas que tentavam barrar seu nome no Senado. Ele explicou que evitou confrontos públicos desnecessários para não desgastar sua imagem antes da hora.
“Se eu aumentasse a força antes da marcação [da sabatina], ia aumentar a carga contra mim. Só depois de marcada iria demonstrar força”, relatou o ministro, destacando que posições públicas exigem “leitura precisa do momento adequado para agir”.
Atualmente ocupando uma das 11 cadeiras da Corte mais alta do país, Mendonça reforçou que não possui pretensões pessoais de liderança ou superioridade sobre seus pares. Ele afirmou que todos os ministros têm a mesma importância e responsabilidade perante a sociedade.
“Não pretendo ser salvador de nada”, enfatizou, lembrando que os magistrados são servidores públicos que devem trabalhar para preservar a confiança da população nas instituições.
Fonte; Gazeta Brasil




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