O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou duramente neste sábado (28) a nota oficial do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, classificando o posicionamento do Itamaraty como “inaceitável” e moralmente equivocado.
Em publicação na rede social X, o senador e pré-candidato à Presidência da República em 2026 afirmou que o Brasil adotou uma postura que favorece politicamente Teerã, colocando o país “do lado errado de um conflito grave”. Para ele, o governo brasileiro deveria evitar envolvimento em disputas internacionais nas quais o Brasil não está diretamente envolvido.
Flávio destacou que, na visão dele, a nota oficial acaba por legitimar o regime iraniano, apontado por ele como financiador de organizações consideradas terroristas e responsável por instabilidade na região. O senador disse ainda que neutralidade não pode ser confundida com complacência e que a política externa brasileira precisa ser guiada por “prudência e clareza”, sem apoiar regimes que, em sua avaliação, promovem “terror e sofrimento”.
O senador também expressou solidariedade aos países que teriam sido alvo de ataques iranianos em retaliação à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, como os Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
A nota do Ministério das Relações Exteriores, divulgada neste sábado, condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e manifestou “grave preocupação” com o aumento das hostilidades na região. O Itamaraty apelou ao respeito ao direito internacional e pediu que todas as partes exerçam máxima contenção, com vistas a evitar uma escalada ainda maior do conflito e proteger civis e infraestrutura civil. Ainda segundo a nota, embaixadas brasileiras na região acompanham os desdobramentos e orientam cidadãos brasileiros sobre segurança.
Eis a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:
O posicionamento do governo Lula diante das ações do regime iraniano é inaceitável. Ao adotar uma postura de apoio político a Teerã neste momento, o Brasil se coloca do lado errado de um conflito grave e ignora a natureza objetiva do regime que está defendendo.
O Irã não é um ator neutro no cenário internacional. Trata-se de um governo que financia e apoia organizações terroristas, que grita publicamente “morte à América”, que defende abertamente “varrer Israel do mapa” e que mantém um programa nuclear notoriamente para fins militares. Internamente, reprime sua população com violência sistemática, em especial contra mulheres, resultando em milhares de mortos. Esses são fatos públicos e reiterados ao longo dos anos, repudiados por quase todos os países da região.
O Brasil não precisa se intrometer em conflitos regionais, nem assumir papel protagonista em disputas que não nos pertencem. O que não pode é escolher o alinhamento moralmente errado, legitimando um regime que promove instabilidade e ameaça países parceiros do nosso próprio interesse estratégico.
Registro minha solidariedade aos Emirados Árabes Unidos, ao Reino do Bahrein, países parceiros do Brasil, e a quaisquer outros que tenham sido covardemente atacados pela ditadura do Irã. São nações com as quais o Brasil mantém relações comerciais relevantes e diálogo institucional crescente.
Política externa responsável exige prudência e clareza. Neutralidade não é sinônimo de complacência, e contenção não pode significar apoio indireto a regimes que promovem terror, desestabilização e sofrimento.
Fonte; Gazeta Brasil




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