
O Ministério Público da Bolívia emitiu, nesta quarta-feira (29), uma ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusado de terrorismo, insurreição armada e outros crimes relacionados aos bloqueios massivos que paralisaram o país por 53 dias, entre maio e junho deste ano. O documento, assinado pelo promotor anticorrupção Brayan Melgar, determina que Morales seja detido e encaminhado à Unidade Policial Especializada de Combate à Corrupção, em La Paz.
A investigação contra o ex-mandatário se baseia em seis delitos: insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos. A denúncia penal foi formalizada em 1º de julho pelo Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, que apontou Morales como o principal articulador das manifestações.
Bloqueios de 53 dias paralisaram a Bolívia
Durante as sete semanas de protestos, camponeses, membros da Central Operária Boliviana (COB) e organizações aliadas a Morales instalaram mais de 100 pontos de bloqueio em estradas estratégicas, especialmente em La Paz, Cochabamba e Santa Cruz. As manifestações exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, vista pelos setores mobilizados como a única saída para a crise política.
O impacto foi devastador. O desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal atingiu níveis críticos em várias cidades. Os bloqueios causaram a morte de pelo menos 22 pessoas e deixaram 88 feridos, segundo dados da Defensoria do Povo e de organizações sociais. As perdas econômicas ultrapassaram US$ 3 bilhões, afetando gravemente os setores produtivos, especialmente em Santa Cruz.
Reação de Morales e situação atual
Em sua conta na rede social X (antigo Twitter), Morales reagiu à ordem de prisão com um discurso de resistência: “Não vão nos intimidar. Seguiremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todos”. O ex-presidente também atribuiu as mobilizações à pressão social por demandas insatisfeitas e negou ter promovido a renúncia de Paz.
“Buscam nos responsabilizar pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que a Bolívia vive: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção”, afirmou.
Atualmente, Morales permanece no Trópico de Cochabamba, sua principal base política, protegido por seguidores desde outubro de 2024. Além da investigação pelos bloqueios, o ex-presidente enfrenta outro processo por tráfico agravado de pessoas, relacionado a uma suposta relação com uma menor de idade durante seu mandato. Em maio, um tribunal de Tarija o declarou em rebeldia e emitiu uma ordem de captura.
Outros líderes também são alvo
Além de Morales, o mandado de prisão atinge o principal dirigente da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, e o líder da Federação de Camponeses Túpac Katari, Vicente Salazar. Este último já está detido preventivamente no presídio de Chonchocoro desde 6 de julho, apontado como um dos principais organizadores dos bloqueios na região ocidental do país.
Presidente decretou estado de exceção
Diante da persistência dos bloqueios, o presidente Rodrigo Paz decretou estado de exceção em 20 de junho e ordenou o deslocamento da Polícia e do Exército para desobstruir as rodovias. A medida foi tomada após as tentativas de acordo com setores como a COB se mostrarem insuficientes para conter a crise.
Fonte; Gazeta Brasil




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