Por: Etiene Ramos/Folha PE
O governador reeleito, Paulo Câmara tem
uma série de desafios para acelerar a retomada do crescimento de
Pernambuco, melhorar o nível de emprego e qualidade de vida da
população, e concluir obras estruturadoras que dependem, em grande
parte, do governo federal. São desafios importantes que, na opinião dos
economistas da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, precisam ser
enfrentados a partir do aumento de investimentos e do restabelecimento
das condições fiscais para novas operações de crédito.
“Um dos problemas principais é o da
infraestrutura econômica. Nossa estrutura está muito comprometida e
investimentos estratégicos para o Estado não foram realizados”, afirma
Jorge Jatobá, economista e sócio-diretor da Ceplan, citando o Arco
Metropolitano, uma obra projetada para melhorar a logística entre os
polos industriais do Litoral Norte e do Porto de Suape. Investimento
federal, o Arco pode ser feito pelo Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (DNIT) ou por Parceria Público Privada
(PPP). “Ele irá desafogar o transporte de passageiros e sobretudo de
cargas do conjunto de empresas recém instaladas no Litoral Norte como a
Vivix, a Hemobrás e sobretudo a Jeep”, completa Jatobá.
A Federação das Indústrias de Pernambuco
(Fiepe) também defende o Arco Metropolitano, assim como toda e qualquer
obra de infraestrutura, que considera mais importante do que incentivos
fiscais para a atração e manutenção de empreendimentos. Sem projeto
definido ainda por falta de licença ambiental do Estado, o Arco ainda
não saiu do papel, atrasando outros investimentos. Para a Fiepe, a
legislação ambiental é boa, mas precisa ser aplicada sem o viés
ideológico do ambientalismo. Sem as licenças ambientais, nem verbas
federais nem PPPs podem ser executadas.
Outras obras significativas que também
dependem do governo federal ou de uma nova engenharia financeira,
segundo Jorge Jatobá, são a ferrovia Transnordestina – que chega ao
Ceará e só deve chegar a Pernambuco daqui a nove anos, e as obras
complementares da Transposição do Rio São Francisco para levar água à
população e à atividade produtiva do Agreste e, principalmente, do
Sertão do Estado. “O modelo de financiamento dos investimentos vai
mudar. A crise fiscal não vai mais permitir ao Estado, no curto prazo,
ser o grande financiador de obras como foi no século 20. Novos modelos
de investimentos fazem parte de uma agenda importante para Pernambuco,
para o Nordeste e, principalmente, para a infraestrutura que
precisamos”, observa a também economista e sócia-diretora da Ceplan,
Tania Bacelar.
Em janeiro, o governador Paulo Câmara
levou ao ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, projetos
que precisam ser concluídos para Pernambuco não ficar parado. “Arco
Metropolitano, Transnordestina, Porto de Suape, Porto do Recife,
rodovias… montamos um mapa de tudo que era necessário acontecer e
apresentamos ao ministro. A mesma pauta mostramos aos senadores e
deputados. Para nós é muito importante desarmar os palanques, deixar
campanha política de lado. Estamos unidos para articular os projetos e
dialogar com o governo federal a fim de implementá-los seja pela via
governamental ou por PPPs. O importante é viabilizar os projetos para
Pernambuco”, revela o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado,
Bruno Schwambach.
A retomada do crescimento econômico
tanto para o Brasil quanto para Pernambuco, segundo Jorge Jatobá, está
sendo lenta e, se a política não atrapalhar, 2019 vai continuar tendo
desempenho aquém do necessário e desejado. “Mas espera-se que, até o
final dos atuais mandatos do presidente Jair Bolsonaro e do governador
Paulo Câmara, a economia volte a uma trajetória de crescimento bem mais
alta, onde o Estado pode repetir o desempenho que teve até 2014, como
fez em 2017 e 2018, crescendo pouco, mas ainda assim duas vezes mais que
a média nacional”, analisa Jatobá.
Emprego e educação
Para Tania Bacelar, Pernambuco precisa
decidir o que fazer depois do boom que conquistou antes da crise
econômica e dos seus desdobramentos, e definir uma agenda sintonizada
com o século 21, vendo as mudanças que estão acontecendo, as sementes
que já existem e oferecendo estímulos às atividades que vão sinalizar o
novo contexto econômico deste século. “Passando pelas duas agendas, a
questão do emprego, associada à da educação, precisa ser discutida. O
mercado de trabalho mudou, não é só a crise que está prejudicando a
empregabilidade. Mudanças tecnológicas e novas formas de produzir vieram
para ficar. Pernambuco precisa ter uma agenda de inovação para uma
estratégia de futuro consistente”, afirma.
Jorge Jatobá destaca ainda, no desafio
educacional, a necessidade de se formar mão de obra qualificada para
atender ao mercado de trabalho que está com dificuldades para apresentar
um bom desempenho. “Os empregos gerados ou que serão gerados exigem
perfis profissionais e bem mais qualificados. É um desafio para o
sistema universitário de ensino, para o Sistema S (Senai, Sesc, Senat),
entre outras instituições, e para escolas técnicas. Ele deve ser
enfrentado com muito vigor, a fim de formar pessoal com qualidade desde a
educação básica. Isso dará continuidade ao trabalho bem sucedido do
ensino médio, intensificando o trabalho no ensino fundamental”,
acredita.
O economista ainda chama a atenção para
dois fatores que vêm diluindo a geração de empregos no cenário estadual:
na recessão, as empresas enxugam seus quadros, realizam mudanças
tecnológicas, modernizam processos, aumentam a produtividade e saem da
crise mais enxutas, mais eficientes. O outro é o movimento estrutural
que está em curso, o da indústria 4.0, que agrega muito valor mas não
gera muito emprego. “Pernambuco se destaca na área de Tecnologia da
Informação e Comunicação com o Cesar, o Porto Digital, o centro de
inovação da Accenture na América Latina e outras empresas de alto
impacto. Então vai continuar avançando mas vai demorar a retomar o nível
de crescimento do emprego”, observa.





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